






O Dia em que a Terra Parou (The Day The Earth Stood Still, 2008) é um remake do clássico de 1951. Entretanto, na minha visão, a nova versão apresenta vários problemas na adaptação. Eu não vi o original.... Mas faz sentido que em um período pós-guerra, o filme trouxesse reflexões sobre o fato que somos todos da mesma espécie e, apesar das diferenças, somos todos responsáveis pelo planeta em que vivemos. Deve-se levar em consideração que o filme original foi lançado em plena guerra fria e que todos estavam apavorados com a possível eclosão de uma Terceira Guerra Mundial, dessa vez nuclear.
Entretando, hoje em dia esse discurso está batido e as pessoas estão mais maduras para enfrentar as verdades sobre o egoísmo que cada um possui e que permeia todas os conflitos, desde os familiares até as guerras, e o diretor não soube explorar isso. Então o filme ficou fraquinho em termos de reflexão.
Bom, fora isso, o filme escorrega em vários outros pontos... Mas vamos à história: Klatuu (Keanu Reeves) é um alienígena representante do conselho dos líderes das galáxias que veio para a terra com a missão de dar aos humanos um ultimato: ou aprendemos a respeitar as outras espécies que vivem no nosso planeta - e o planeta em si - ou a raça humana será exterminada.
Os aliens escolhem, mas que surpresa, Nova Iorque como QG da visita. Que coisa, deve ser muito legal morar lá. Êta cidade agitada, as maiores histórias de amor acontecem lá, os principais thrillers policiais também, isso sem falar nos aliens, no Godzila, no Homem-Aranha e, é claro, no GORT (olhem o filme para entender..). Gente, tá todo mundo lá!!!! Porto Alegre é muito pacata mesmo...
Ainda bem que ao menos eles fazem uma críticazinha aos americanos, que adotam o alien como seu rato de laboratório, excluindo a opinião do resto dos líderes mundiais sobre o que fazer com essa crise. Só não entendo como o maior procurado de todos os tempos sai caminhando na boa do hospital e ninguém acha ele por um tempão (isso sim é uma verdadeira tiração com o sistema de defesa americano)...
Salvam o filme as ótimas atuações de Kathy Bates, como secretária de defesa e representante do presidente dos EUA e do ator John Cleese ( o professor de Helen), sendo o último protagonista da melhor cena do filme, a conversa "matemática" entre o alien e o professor.
Ah, outro ponto a ser discutido é o insistente uso (e abuso) do merchandising. Ex.: De todos os lugares que eles poderiam ter parado para tomar um café, adivinha qual eles escolheram??? O MC Donald's, é claro, incluindo um reflexo do famoso "M" no vidro do carro. AFFFF, que irritante!!!!
Apesar de tudo isso, se fizermos um esforço, da pra tentar manter o debate (levantado pelo primeiro filme) de que a terra não é nossa, que somos um bando de arrogantes e que a maioria de nós precisa mesmo é de um bom psicólogo (para manter o clima do filme, vou fazer um merchandising sobre a minha futura profissão, hahaha). Ta, não, brincadeira. O filme também da uma visão otimista de que "estamos mal mesmo, mas a gente só muda quando está com a corda no pescoço". Será? Acho que temos tudo para melhorar e não falo de grandes mudanças mundiais, mas de pequenas mudanças internas em cada pessoa. Falta só a coragem de olhar verdadeiramente pra si e encarar o que tiver que encarar para conseguir ser uma pessoa melhor, para si, para os outros e para o nosso planeta.





GHOST TOWN

Bom, confesso que minhas expectativas sobre esse filme não eram as melhores... Mas até que me surpreendi! Ghost town é a história de um dentista rabugentão e que odeia o contato com pessoas até que, depois de passar por um momento de quase morte, ele começa a ver espíritos. E o pior, os espíritos querem que ele os ajudem a terminar coisas inacabadas aqui na terra.
Tá a história é meio sessão da tarde, o romance é meio fajuta, mas a liçãozinha no final até vale a pena! É um bom passa-tempo pra essas tardes de chuva, desde que acompanhado de uma boa pipoca (que poderá servir de consolo, caso vcs achem o filme ruim)..
Recomendo!


"¿Que hay en una estrella? Nosotros mismos.
Todos los elementos de nuestro cuerpo y del planeta
estuvieron en las entrañas de una estrella.
Somos polvo de estrellas."
ERNESTO CARDENAL, "Cántico Cósmico"
Vale
Una vida lo que un sol
Una vida lo que un sol
Vale
Se aprende en la cuna,
se aprende en la cama,
se aprende en la puerta de un hospital.
Se aprende de golpe,
se aprende de a poco y a veces se aprende recién al final
Toda la gloria es nada
Toda vida es sagrada
Una estrellita de nada
en la periferia
de una galaxia menor.
Una, entre tantos millones
y un grano de polvo girando a su alrededor
No dejaremos huella,
sólo polvo de estrellas.
Vale
Una vida lo que un sol
Una vida lo que un sol
Vale
Se aprende en la escuela,
se olvida en la guerra,
un hijo te vuelve a enseñar.
Está en el espejo,
está en las trincheras, parece que nadie parece notar
Toda victoria es nada
Toda vida es sagrada
Un enjambre de moléculas
puestas de acuerdo
de forma provisional.
Un animal prodigioso
con la delirante obsesión de querer perdurar
No dejaremos huella,
sólo polvo de estrellas.
![]() |
No velho conto de Rudyard Kipling Mogli, o Menino-Lobo, o autor descreve uma criança que, adotada por uma loba, cresce sem jamais haver usado uma só palavra humana, até ser encontrada e se integrar à sociedade. O conto é atraente, mas cientificamente absurdo. Porém, houve outros casos, supostamente reais, de crianças criadas por animais. E também casos reais (até recentes) de crianças que cresceram isoladas e sem oportunidades de aprender a falar.
Faz tempo, meninos-lobo e outros jovens criados sem interação humana despertaram o interesse da psicologia cognitiva e da linguística. A razão é que seriam um experimento natural que permitiria responder a uma pergunta crucial: esses jovens, sem conhecer palavras, poderiam pensar como os demais humanos?
A questão em pauta era decidir se pensamos porque temos palavras ou se seria possível pensar sem elas. Como os meninos-lobo não conheciam palavras, se podiam pensar, teria de ser sem elas. Nos diferentes casos de crianças criadas em isolamento, ficou clara a enorme dificuldade de ajustamento que elas encontraram ao ser reabsorvidas pela sociedade. Muitas jamais se ajustaram, fosse pelo trauma do isolamento, fosse pela impossibilidade de pensar humanamente sem palavras. Mas o fato é que não desenvolveram um raciocínio (abstrato) classicamente humano.
O interesse pelos meninos-lobo feneceu. Mas se aprendeu muito desde então, e hoje não se acredita que o pensamento sem palavras seja possível – pelo menos, o pensamento simbólico que é a marca dos seres humanos. Ou seja, Mogli não seria capaz de pensar.
"Vivemos em um mundo de palavras", diz o celebrado antropólogo Richard Leakey. "Nossos pensamentos, o mundo de nossa imaginação, nossas comunicações e nossa rica cultura são tecidos nos teares da linguagem... A linguagem é o nosso meio... É a linguagem que separa os humanos do resto da natureza." Para o neuropaleontólogo Harry Jerison, precisamos de um cérebro grande (três vezes maior do que o de outros primatas) para lidar com as exigências da linguagem.
Portanto, se pensamos com palavras e com as conexões entre elas, a nossa capacidade de usar palavras tem muito a ver com a nossa capacidade de pensar. Dito de outra forma, pensar bem é o resultado de saber lidar com palavras e com a sintaxe que conecta uma com a outra. O psicólogo Howard Gardner, com sua tese sobre as múltiplas inteligências, talvez diga que Garrincha tinha uma "inteligência futebolística" que não transitava por palavras. Mas grande parte do nosso mundo moderno requer a inteligência que se estrutura por intermédio das palavras. Quem não aprendeu bem a usar palavras não sabe pensar. No limite, quem sabe poucas palavras ou as usa mal tem um pensamento encolhido.
Talvez veredicto mais brutal sobre o assunto tenha sido oferecido pelo filósofo Ludwig Wittgenstein: "Os limites da minha linguagem são também os limites do meu pensamento". Simplificando um pouco, o bem pensar quase que se confunde com a competência de bem usar as palavras. Nesse particular não temos dúvidas: a educação tem muitíssimo a ver com o desenvolvimento da nossa capacidade de usar a linguagem. Portanto, o bom ensino tem como alvo número 1 a competência linguística.
Pelos testes do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), na 4ª série 50% dos brasileiros são funcionalmente analfabetos. Segundo o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), a capacidade linguística do aluno brasileiro corresponde à de um europeu com quatro anos a menos de escolaridade. Sendo assim, o nosso processo educativo deve se preocupar centralmente com as falhas na capacidade de compreensão e expressão verbal dos alunos.
Ao estudar a Inconfidência Mineira, a teoria da evolução das espécies ou os afluentes do Amazonas, o aprendizado mais importante se dá no manejo da língua. É ler com fluência e entender o que está escrito. É expressar-se por escrito com precisão e elegância. É transitar na relação rigorosa entre palavras e significados.
No conto, Mogli se ajustou à vida civilizada. Infelizmente para nós, Kipling estava cientificamente errado. Nossa juventude estará mal preparada para a sociedade civilizada se insistirmos em uma educação que produz uma competência linguística pouco melhor do que a de meninos-lobo.

Frase de abertura do meu TCC, fiquei com vontade de compartilhar...
A Krausz é brasileira, importante pesquisadora de recursos humanos e é uma das poucas pessoas na área da administração que busca, através de seus estudos e livros, abrir os olhos das pessoas. A sua obra busca ajudar as pessoas a entenderem que as empresas/organizações podem e devem ser lugares mais dignos, satisfatórios, desafiadores e agradáveis de se trabalhar!
Enquanto isso, os holofotes da Administração continuam apontados para lucros, produtividade, eficiência, dinheiro, dinheiro e mais dinheiro..
Deve ser porque quanto mais dinheiro se tem, mais feliz se é... É só olhar para fora e ver o quão genuína é a felicidade dos ricos... hehehehe
Ironias a parte, que bom que existem pessoas como a Krausz na nossa área! O mundo agradece.
Beijos a todos,
Lola
Mais infos em http://www.stridegum.com/#/mattsplace/

